18 horas passadas de um domingo frio e cinzento na capital paranaense, a mórbida revoada dos pombos anuncia o crepúsculo. O palhaço, cambaleando pelo centro vazio da cidade dá gavroches de decadente esplendor, chama por algum sorriso, algum aplauso, alguma moeda, vende sua dignidade. Seu riso nervoso, mais do que outrora foi, é hoje mero disfarce, uma máscara para sua aterradora tristeza. O palco é qualquer esquina, qualquer sinaleiro fechado. Performático, entre suas diversas artimanhas e truques ultrapassados, grita, ri, chora, se despe, implora... Seus esforços resultam em nada, ninguém o vê. Fraco e cansado, tenta manter-se em pé por alguns esperançosos últimos instantes antes de vomitar a pinga ingerida a seco na noite anterior e cair morto na calçada. Chamando então a atenção de uma silenciosa multidão ao seu redor e fazendo de sua decomposição em meio aos ratos e moscas um espetáculo, um espetáculo GROTESCO.


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